A esteatose hepática, conhecida popularmente como “fígado gorduroso” ou “gordura no fígado”, é definida pelo acúmulo de gordura dentro dos hepatócitos, as células do Fígado. Um fígado saudável, sem esteatose, tem presença de gordura em menos de 5% dos hepatócitos. Quando ela se encontra em porcentagem mais alta, falamos que há esteatose hepática.
Na maioria das vezes associamos a “gordura na Fígado” com obesidade. De fato, pacientes com obesidade tem maior risco de esteatose, porém essa não é a única causa.
As principais causas da esteatose são:
1. Síndrome metabólica: obesidade, diabetes, hipertensão arterial, aumento da circunferência abdominal, dislipidemia com triglicerídeos elevados e/ou diminuição do HDL. Esse fatores, isolados e em conjunto, são os mais comuns associado a presença da esteatose hepática.
2. Consumo de álcool: chamada de esteatose alcoólica, a qual ocorre quando há consumo excessivo de álcool, com mais de 50g/dia de álcool em mulher e 60g/dia em homens.
3. Misto – síndrome metabólica + álcool: a presença de síndrome metabólica associada a um consumo moderado de álcool pode potencializar o risco de esteatose. É importante ressaltar que o risco de esteatose hepática induzida por medicamentos pode ser potencializado em pacientes com fatores de risco metabólicos, como obesidade e síndrome metabólica.
4. Uso de medicamentos: alguns remédios podem induzir acúmulo de gordura, seja por acúmulo direto, seja por induzirem resistência insulínica e ganho de peso.
Alguns medicamentos associados são:
A esteatose hepática pode ser suspeitada durante a avaliação clínica, especialmente quando existem sinais da síndrome metabólica (como obesidade abdominal, hipertensão, etc) e também pelo achado de aumento do fígado (hepatomegalia) ao exame físico.
A confirmação é feita por exames de imagem capazes de detectar gordura no fígado, como:
Ultrassonografia de abdome – método mais utilizado, simples, rápido, não invasivo e bastante acessível.
Ressonância magnética – oferece alta precisão, podendo quantificar a quantidade de gordura.
Tomografia computadorizada – também pode identificar o acúmulo de gordura, embora seja menos usada para esse fim específico.
Entre esses métodos, a ultrassonografia se destaca como uma excelente ferramenta para avaliar a presença e a extensão da esteatose hepática, além de ser indolor e prática.
Perguntas como essas são muito comuns no consultório. Para compreender a gravidade, é importante entender a evolução natural da doença gordurosa hepática.
O cúmulo de gordura no fígado (esteatose), em alguns pacientes, pode provocar inflamação — chamada esteato-hepatite. Com o tempo, essa inflamação leva à formação de fibrose (cicatrizes no fígado). O estágio mais avançado da fibrose é a cirrose hepática, quando o fígado apresenta lesões menos reversíveis.
O aumento das enzimas hepáticas (transaminases) em exames de sangue pode indicar inflamação, levantando a suspeita de esteato-hepatite.
No entanto, esse achado não confirma o diagnóstico isoladamente. É fundamental uma avaliação médica completa, para descartar outras causas e interpretar os exames corretamente.
Identificar se há fibrose é o ponto mais importante na avaliação da esteatose. A fibrose é o marcador que determina o risco de progressão para doença avançada. Existem diferentes métodos para avaliar a fibrose:
Calculadoras clínicas: utilizam resultados laboratoriais, como FIB-4 ou NAFLD Score.
Elastografia hepática por vibração (VCTE): exame rápido, não invasivo, amplamente validado.
Elastografia por ultrassonografia: técnica que também mede a rigidez do fígado, prática, de fácil acesso.
Elastografia por ressonância magnética: método de excelente qualidade, geralmente reservado para casos complexos ou dúvidas diagnósticas.
A gravidade da esteatose hepática não está relacionada apenas ao “grau” de gordura visto no exame, mas principalmente à presença de inflamação e, sobretudo, de fibrose.
Por isso, cada paciente deve ser avaliado de forma individualizada, com os exames adequados e acompanhamento médico especializado.
É importante destacar que muitos pacientes recebem um laudo com “esteatose leve” e acabam se tranquilizando, acreditando que não há motivo para preocupação. No entanto, mesmo formas leves podem evoluir com inflamação e fibrose ao longo do tempo.
Esse aspecto reforça a importância de uma avaliação completa, para identificar riscos precocemente e orientar as melhores medidas de prevenção e tratamento.