Hepatite A

O que é a hepatite A?

A hepatite A é uma infecção causada por um vírus: o vírus da hepatite A, também chamado de VHA. Essa infecção habitualmente causa uma doença aguda e autolimitada. Apesar de poder provocar uma inflamação significativa no fígado durante a fase aguda, ela não se torna crônica e geralmente apresenta resolução completa em até 6 meses.

Como se pega hepatite A?

A transmissão ocorre pela via fecal-oral. Mas o que isso significa? Significa que o vírus eliminado nas fezes de uma pessoa infectada pode contaminar água, alimentos, objetos ou superfícies e, ao ser ingerido por uma pessoa suscetível, causar a infecção. Isso pode acontecer, por exemplo, pelo consumo de alimentos crus contaminados, água ou gelo contaminados, alimentos mal higienizados ou manipulados sem higiene adequada, além da falta de lavagem correta das mãos.

A infecção costuma conferir imunidade duradoura. Ou seja, quem já teve hepatite A, em geral, não apresenta um novo episódio da doença.

Posso me prevenir da hepatite A?

Existem várias formas de prevenção: lavar bem as mãos, higienizar corretamente os alimentos, consumir água tratada e, principalmente, vacinar-se.

A vacina contra a hepatite A é segura e confere excelente proteção contra a doença, sendo a principal forma de prevenção.

No SUS, esssa vacina faz parte do calendário infantil, sendo indicada em dose única aos 15 meses de idade. Caso a criança não tenha sido vacinada nesse período, a vacina pode ser aplicada até 4 anos, 11 meses e 29 dias.

No adulto, em situações especiais, como algumas doenças crônicas, imunossupressão, transplante, HIV, uso de PrEP e hepatopatias crônicas, a vacina também pode estar disponível de maneira gratuita pelos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), conforme indicação médica. No outros pacientes adultos, é possível conseguir a vacina na rede privada de saúde. 

Como suspeitar que estou com hepatite A?

Os sintomas da hepatite A costumam ser inespecíficos no início e podem ser confundidos com uma “virose comum”. É comum haver mal-estar geral, cansaço, dor no corpo, febre, náuseas, vômitos, dor abdominal, perda de apetite e, em alguns casos, diarreia.

Após alguns dias, parte dos pacientes pode evoluir para a chamada fase ictérica, momento em que a suspeita de hepatite se torna mais evidente. Nessa fase, pode ocorrer aumento das enzimas hepáticas nos exames de sangue, além do surgimento de icterícia — coloração amarelada dos olhos e da pele — e urina escura, muitas vezes descrita como cor de mate ou Coca-Cola, chamada de colúria.

Na maioria das vezes, a hepatite A tem um curso autolimitado, ou seja, melhora espontaneamente com o tempo e não se torna crônica. A recuperação clínica e laboratorial completa é observada em cerca de 85% dos pacientes dentro de dois a três meses, e quase todos os pacientes se recuperam completamente em até seis meses.

No entanto, durante a fase aguda, uma minoria dos pacientes pode evoluir com formas graves da doença, incluindo insuficiência hepática aguda, situação em que o fígado passa a ter prejuízo importante em seu funcionamento. Em casos raros, pode haver evolução para hepatite fulminante, quadro de altíssimo potencial de gravidade e mortalidade, que exige intervenção médica imediata.

Além disso, a hepatite A pode apresentar algumas complicações, como evolução com curso colestático — quando há maior dificuldade na eliminação da bile, podendo causar icterícia mais prolongada e coceira — ou curso recidivante, quando os sintomas e alterações nos exames retornam após uma melhora inicial.

Por isso, é muito importante não negligenciar essa infecção. Diante de sintomas sugestivos, especialmente icterícia, urina escura ou alterações importantes nos exames do fígado, o ideal é procurar avaliação médica especializada e manter acompanhamento até a resolução completa do quadro.

Como ficam os exames de sangue na hepatite A?

Nos exames laboratoriais, é comum observar aumento das enzimas do fígado, especialmente as transaminases (TGO e TGP) , que quando aumentadas, demonstram a inflamação hepática.  Também pode haver aumento das bilirrubinas. A dosagem de ALT e bilirrubina pode auxiliar na avaliação do quadro clínico.

O hemograma pode apresentar alterações inespecíficas, como mudanças na contagem de leucócitos e linfócitos, mas ele não confirma o diagnóstico sozinho.

Um exame que merece atenção especial é o INR, que avalia a capacidade de coagulação do sangue e pode refletir a função do fígado. Quando o INR está alargado, indica maior gravidade e necessidade de acompanhamento mais próximo.

Como é feito o diagnóstico da hepatite A?

O diagnóstico é confirmado por meio da sorologia – o anti-HAV IgM. Quando esse anticorpo está positivo em uma pessoa com sintomas compatíveis, ele indica infecção atual ou recente pelo vírus da hepatite A.

Outro exame que pode aparecer na investigação é o anti-HAV IgG. Quando positivo, ele geralmente indica contato antigo com o vírus ou resposta à vacinação, e não significa, sozinho, hepatite A aguda. Por isso, a interpretação correta dos exames deve ser sempre feita por um médico.

Como é o tratamento da hepatite A?

Na maioria dos casos o próprio organismo consegue eliminar o vírus. Não existe um antiviral específico. O tratamento é se baseia em medidas de suporte, como hidratação, repouso relativo, alimentação conforme a tolerância e medicamentos apenas para aliviar sintomas.

É importante evitar automedicação, pois alguns remédios podem sobrecarregar o fígado durante a fase aguda da doença e por isso o acompanhamento médico é essencial. Também deve evitar álcool.

Tem dúvidas sobre hepatite A? Uma avaliação especializada pode ajudar a entender o seu caso e orientar os próximos passos.