Dra. Nathália Carraro - Hepatologia e Clínica Médica

Hepatite A

O que é a hepatite A?

A hepatite A é uma infecção causada por um vírus: o vírus da hepatite A, também chamado de VHA. Essa infecção habitualmente causa uma doença aguda e autolimitada. Apesar de poder provocar uma inflamação significativa no fígado durante a fase aguda, ela não se torna crônica e geralmente apresenta resolução completa em até 6 meses.

Como se pega hepatite A?

A transmissão ocorre pela via fecal-oral. Mas o que isso significa? Significa que o vírus eliminado nas fezes de uma pessoa infectada pode contaminar água, alimentos, objetos ou superfícies e, ao ser ingerido por uma pessoa suscetível, causar a infecção. Isso pode acontecer, por exemplo, pelo consumo de alimentos crus contaminados, água ou gelo contaminados, alimentos mal higienizados ou manipulados sem higiene adequada, além da falta de lavagem correta das mãos.

A infecção costuma conferir imunidade duradoura. Ou seja, quem já teve hepatite A, em geral, não apresenta um novo episódio da doença.

Posso me prevenir da hepatite A?

Existem várias formas de prevenção: lavar bem as mãos, higienizar corretamente os alimentos, consumir água tratada e, principalmente, vacinar-se.

A vacina contra a hepatite A é segura e confere excelente proteção contra a doença, sendo a principal forma de prevenção.

No SUS, esssa vacina faz parte do calendário infantil, sendo indicada em dose única aos 15 meses de idade. Caso a criança não tenha sido vacinada nesse período, a vacina pode ser aplicada até 4 anos, 11 meses e 29 dias.

No adulto, em situações especiais, como algumas doenças crônicas, imunossupressão, transplante, HIV, uso de PrEP e hepatopatias crônicas, a vacina também pode estar disponível de maneira gratuita pelos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), conforme indicação médica. No outros pacientes adultos, é possível conseguir a vacina na rede privada de saúde. 

Como suspeitar que estou com hepatite A?

Os sintomas da hepatite A costumam ser inespecíficos no início e podem ser confundidos com uma “virose comum”. É comum haver mal-estar geral, cansaço, dor no corpo, febre, náuseas, vômitos, dor abdominal, perda de apetite e, em alguns casos, diarreia.

Após alguns dias, parte dos pacientes pode evoluir para a chamada fase ictérica, momento em que a suspeita de hepatite se torna mais evidente. Nessa fase, pode ocorrer aumento das enzimas hepáticas nos exames de sangue, além do surgimento de icterícia — coloração amarelada dos olhos e da pele — e urina escura, muitas vezes descrita como cor de mate ou Coca-Cola, chamada de colúria.

Na maioria das vezes, a hepatite A tem um curso autolimitado, ou seja, melhora espontaneamente com o tempo e não se torna crônica. A recuperação clínica e laboratorial completa é observada em cerca de 85% dos pacientes dentro de dois a três meses, e quase todos os pacientes se recuperam completamente em até seis meses.

No entanto, durante a fase aguda, uma minoria dos pacientes pode evoluir com formas graves da doença, incluindo insuficiência hepática aguda, situação em que o fígado passa a ter prejuízo importante em seu funcionamento. Em casos raros, pode haver evolução para hepatite fulminante, quadro de altíssimo potencial de gravidade e mortalidade, que exige intervenção médica imediata.

Além disso, a hepatite A pode apresentar algumas complicações, como evolução com curso colestático — quando há maior dificuldade na eliminação da bile, podendo causar icterícia mais prolongada e coceira — ou curso recidivante, quando os sintomas e alterações nos exames retornam após uma melhora inicial.

Por isso, é muito importante não negligenciar essa infecção. Diante de sintomas sugestivos, especialmente icterícia, urina escura ou alterações importantes nos exames do fígado, o ideal é procurar avaliação médica e manter acompanhamento até a resolução completa do quadro.