O transplante hepático é uma opção de tratamento para pacientes com doenças graves do fígado. Nesses casos, quando o tratamento clínico não é mais suficiente, o transplante pode ser a melhor alternativa para oferecer maior expectativa e qualidade de vida.
O procedimento consiste na retirada do fígado doente e na substituição por um fígado saudável. Esse órgão pode vir de um doador falecido, geralmente em situação de morte encefálica, ou de um doador vivo, quando é transplantada apenas uma parte do fígado saudável — modalidade conhecida como transplante intervivos.
Alguns das indicações de transplante são:
Cirrose hepática descompensada: indicação mais comum;
Alguns tumores que acometem o fígado como alguns casos de carcinoma hepatocelular (CHC) e tumor neuroendócrino metastático para o fígado;
Adenomatose múltipla;
Colangites de repetição;
Prurido de origem hepática incapacitante.
Não! Não necessariamente! A cirrose hepática é a principal indicações de transplante de fígado no mundo, mas nem toda pessoa com cirrose precisa de transplante.
A cirrose é uma doença crônica que tem diferentes fases. Em muitos casos, o paciente está em uma fase chamada cirrose compensada, quando ainda não apresenta complicações importantes e muitas vezes é assintomático. Nessa, quando se mantem boa qualidade de vida e boa sobrevida, não há indicação de transplante.
Em alguns pacientes, porém, a cirrose pode evoluir para a fase descompensada, quando surgem complicações como:
Quando essas descompensações acontecem, especialmente quando são recorrentes ou difíceis de controlar com medicamentos, a sobrevida diminui e o transplante hepático passa a ser considerado como uma boa opção de tratamento.
Para avaliar a necessidade de transplante, além de fazer uma avaliaçã0 clínica global, utilizamos algumas escalas que nos ajudam a entender em qual “fase” o paciente está. As mais comuns são a de Child-Pugh e o MELD/MELD-Na. Quanto maior a pontuação nessas escalas, maior é o impacto da cirrose na sobrevida e maior a necessidade de avaliação especializada para transplante.
No Brasil, existem duas principais formas de transplante de fígado: o transplante com doador falecido e o transplante intervivos.
O fígado vem de uma pessoa que teve morte encefálica e cuja família autorizou, de forma generosa, a doação dos órgãos. Quando há um órgão disponível, é avaliado qual paciente da lista de transplante é compatível com aquele doador. Essa compatibilidade leva em conta diversos fatores como grupo sanguíneo e tamanho do órgão.
É importante saber que a lista de espera para transplante de fígado não funciona por ordem de chegada. Ou seja, não recebe primeiro quem entrou antes na lista. A prioridade é definida principalmente pela gravidade da doença hepática. Em adultos, essa gravidade é estimada pela pontuação deMELD-Na, Quanto maior a pontuação do MELD-Na, maior a gravidade da doença e maior a prioridade na lista.
Ocorre quando uma pessoa saudável, geralmente um familiar próximo, doa parte do seu fígado para um paciente que precisa do transplante. Essa possibilidade existe porque o fígado saudável tem uma importante capacidade de regeneração. Após a cirurgia, a parte do fígado que permanece no doador tende a crescer progressivamente, recuperando volume e mantendo sua função adequada.
Antes da doação, o possível doador passa por uma avaliação minuciosa, que inclui análise da saúde geral, da função hepática e da anatomia do fígado. Também são realizados exames de imagem para estimar o volume hepático e calcular se a parte do fígado que ficará no doador será suficiente para garantir sua segurança, ao mesmo tempo em que a parte doada será adequada para o receptor.
Uma diferença importante em relação ao transplante com doador falecido é que, no transplante intervivos, não há necessidade de aguardar a disponibilidade de um órgão na lista de transplante. Trata-se de uma cirurgia planejada, realizada com data programada.
Cada modalidade de transplante tem seus benefícios, limitações e riscos. Por isso, a decisão deve ser sempre individualizada, considerando a condição clínica do paciente, a possibilidade de doação, os critérios de segurança e a avaliação da equipe transplantadora. Essa avaliação deve ser feita por uma equipe específica de transplante, que inclui tanto hepatologistas quanto cirurgiões transplantadores.